O celular de Trump prometia ser americano. As entregas chegaram e vieram da China

Anunciado em junho de 2025 como um símbolo de patriotismo tecnológico, o T1 Phone da Trump Mobile começou a ser enviado aos compradores na última semana com uma bagagem de controvérsias. O aparelho, vendido por US$ 499, seria fabricado integralmente nos Estados Unidos. O que chegou às mãos dos consumidores conta uma história bem diferente.

Um celular chinês com acabamento dourado

Análises técnicas do aparelho indicam que o T1 Phone é, na prática, uma versão customizada do Wingtech REVVL 7 Pro, modelo fabricado na China e comercializado originalmente por cerca de US$ 126 no mercado americano. As especificações são idênticas: tela AMOLED de 6,78 polegadas, câmera principal de 50 megapixels e bateria de 5.000 mAh. As diferenças ficam por conta do design externo, com acabamento dourado e referências visuais ao presidente, e da posição do leitor de digitais, que foi movido da lateral para baixo da tela. Essa personalização é comum em contratos do tipo ODM, sigla para Original Design Manufacturer, em que uma empresa encomenda um produto já pronto, aplica sua marca e o revende como se fosse original.

A promessa que foi silenciosamente abandonada

Quando o produto foi anunciado, o site da Trump Mobile afirmava categoricamente que o celular seria desenvolvido e fabricado integralmente nos Estados Unidos. Após a repercussão negativa gerada pela comparação com o modelo chinês, a empresa removeu essa afirmação do material de divulgação e passou a descrever o aparelho apenas como um produto projetado nos EUA. Em nota posterior, a Trump Mobile afirmou que a fabricação americana ocorrerá em um futuro próximo, sem apresentar qualquer prazo concreto.

A ironia de um discurso que volta para casa

O lançamento não passou sem ironia. Trump é um dos políticos que mais publicamente pressionou empresas americanas, incluindo a Apple, a trazerem suas linhas de produção de volta aos Estados Unidos, chegando a ameaçar tarifas para quem mantivesse fábricas no exterior. O T1 Phone, batizado em nome desse mesmo discurso, é montado em território chinês e vendido por quase quatro vezes o preço do modelo original. Para os consumidores que fizeram a pré-compra ainda em 2025, a espera durou quase um ano. O aparelho que chegou dificilmente justifica nem o preço nem a promessa.

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