Volver al blog
Inteligencia Artificial

Google erra uma em cada dez respostas nos Resumos de IA, aponta estudo

Publicado el·2 min de lectura
Google erra uma em cada dez respostas nos Resumos de IA, aponta estudo

Este artículo se muestra en su idioma original, portugués.

A promessa dos Resumos de IA do Google era clara: tornar a busca mais ágil, entregando respostas diretas com base em conteúdos indexados da web. No entanto, uma pesquisa recente levanta dúvidas relevantes sobre a confiabilidade dessa ferramenta e coloca em xeque a precisão das informações que milhões de usuários recebem diariamente.

O estudo e seus números

A pesquisa foi conduzida pela Oumi, uma startup especializada no desenvolvimento e treinamento de modelos de inteligência artificial, a pedido do jornal The New York Times. Utilizando o benchmark SimpleQA, foram avaliadas 4.326 buscas em dois momentos: outubro de 2024, com o Gemini 2, e fevereiro de 2025, após a atualização para o Gemini 3. Os resultados indicaram melhora entre os modelos: com o Gemini 2, os resumos acertavam em 85% dos casos; com o Gemini 3, esse índice subiu para 91%. Em termos práticos, isso significa que a ferramenta ainda erra aproximadamente uma em cada dez respostas, e o problema vai além do dado incorreto em si.

Acerto no dado, erro nas fontes

O estudo identificou uma fragilidade crescente na qualidade das referências apresentadas. Em outubro de 2024, 37% das respostas corretas continham links de apoio que não sustentavam completamente a informação apresentada. Com o Gemini 3, essa proporção saltou para 56%. Ou seja, mesmo quando o resumo acerta o conteúdo principal, há chance crescente de que as fontes citadas não corroborem o que foi afirmado. Agravando o quadro, das 5.380 fontes analisadas, Facebook e Reddit figuram como a segunda e quarta mais citadas, e a presença do Facebook era ainda maior nos casos em que os resumos estavam errados.

Uma ferramenta passível de manipulação

Além da imprecisão, o estudo expôs uma vulnerabilidade mais preocupante: a possibilidade de manipular os resultados por meio de conteúdo publicado na web. O jornalista Thomas Germain, do podcast The Interface da BBC, publicou um artigo fictício relatando que teria vencido um campeonato de comer cachorro-quente na Dakota do Sul. No dia seguinte, ao pesquisar o tema no Google, sua própria história aparecia citada nos resumos como fato verídico. O sistema não sinaliza a ausência de fontes diversas nem alerta o usuário sobre possíveis imprecisões, o que pode gerar uma falsa sensação de credibilidade.

A posição do Google e o que fica de lição

O porta-voz da empresa, Ned Adriance, contestou a metodologia da Oumi, afirmando que o estudo apresenta falhas sérias e não reflete buscas reais. Ainda assim, o próprio Google havia publicado internamente resultados semelhantes. A evolução dos modelos de linguagem é inegável, mas os dados do estudo reforçam a necessidade de cautela: confiar em respostas geradas automaticamente, sem verificar as fontes indicadas, pode levar a interpretações equivocadas, especialmente em temas que exigem precisão, como saúde, ciência e direito. Por ora, checar a fonte continua sendo uma etapa indispensável.